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domingo, 14 de junho de 2009

RDTL: A Embaixadora da boa vontade para a Educaçao visita Portugal

"o país ainda tem longo caminho para "verdadeira independência" - Kirsty Sword Gusmão"

Lisboa, 12 Jun (Lusa) - A mulher do primeiro-ministro timorense, Kirsty Sword Gusmão, considerou hoje que Timor-Leste ainda tem um longo caminho a percorrer para conseguir a "verdadeira independência", apontando a falta de recursos humanos como um dos principais obstáculos.

Em entrevista à agência Lusa, Kirsty Sword Gusmão, que chegou hoje a Portugal para uma visita de duas semanas, considerou que desde a consulta popular sobre a independência, em 30 de Agosto de 1999, o país tem vivido "um período muito intenso, de muito trabalho e de muitos desafios".

Acrescentou que, apesar de se notarem muitas mudanças, "é ainda muito longo" o caminho para Timor-Leste "poder conseguir prosperidade e verdadeira independência para o povo".
"Fala-se muito do petróleo e do gás de Timor-Leste e que é uma fonte de riqueza para o país, mas, sem recursos humanos profissionais formados, esta riqueza não tem valor. Ainda temos muito trabalho para fazer até termos pessoas capazes de defenderem os princípios, os ideais da independência", frisou.

Kirsty Sword Gusmão sublinhou o facto de o país viver em paz e estabilidade, adiantando que os timorenses estão optimistas e com esperança no futuro.
"À noite há festas nas ruas de Díli, há famílias a passear, não existe aquele medo que havia em 2006 e 2007. São bons sinais, mas é preciso um esforço muito grande para manter e consolidar a base desta estabilidade", reforçou.

Kirsty Sword Gusmão está em Portugal para promover o trabalho da fundação que dirige, a Alola, com actividades nas áreas da saúde materno-infantil, educação, apoio jurídico e desenvolvimento económico.

"O lema da fundação é "mulher forte, nação forte", porque acredita que, quando as mulheres têm boa qualidade de vida e gozam de um estatuto melhor, há mais desenvolvimento, considerou.
Apoiada por agências e programas da ONU e também pela Fundação Gulbenkian, a Alola desenvolve programas de promoção do aleitamento infantil, formação de professores e edição de manuais escolares, concede bolsas de estudo a raparigas e ajuda ao desenvolvimento económico da mulheres timorenses.

Para Kirsty Sword Gusmão, o trabalho da Fundação passa muito por mudar mentalidades.
"As mulheres deixam de amamentar muito cedo por causa das pressões dos familiares que dizem que o bebé precisa mais do que leite materno para sobreviver", exemplificou, acrescentando que, no caso da saúde materno-infantil, gostava "que as mudanças fossem mais rápidas".

"Em 2005 inaugurámos um projecto chamado "pacotes de maternidade" como forma de encorajar mais mulheres a darem à luz num hospital, porque muitas morrem no parto por não terem um profissional de saúde ou uma parteira. Agora 24 por cento das mulheres dão à luz numa clínica ou num hospital, em 2001 só 10 por cento o faziam", referiu.

Questionada sobre como lida com a dualidade de, por um lado ser mulher do primeiro-ministro, e por outro liderar uma organização que coloca questões e exige soluções do Governo, Kirsty Sword Gusmão afirma encarar a situação com normalidade.

"Este foi sempre o meu papel, de activista. Para mim é uma coisa normal, é normal o Xanana quando chega do trabalho ouvir de mim estas coisas. É uma tradição", disse.
Sobre a candidatura de Xanana Gusmão à liderança do Governo depois de ter sido Presidente da República, a mulher do primeiro-ministro adianta que na origem da decisão esteve a preocupação com o "andamento das coisas" durante a crise de 2006.

Apesar de considerar que era hora de surgir em Timor-Leste uma nova geração de políticos, Kirsty Sword Gusmão acredita que isso será difícil por falta de recursos humanos e não tem certeza de que no final deste mandato Xanana Gusmão possa descansar.

"Gostava de pensar que depois deste mandato de cinco anos vai poder plantar aquelas famosas abóboras... ele gostava de descansar... mas não tenho certeza absoluta... Timor-Leste para mim ainda é um enigma", descreveu. "Às vezes penso que já sei interpretar os sinais e prever as situações, mas..."
CFF.
Lusa/Fim in expresso

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